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Canjica

Na semana de São João,  em que os quitutes juninos estão em alta, vamos começar com o nosso Glossário Paraense da Alimentação. E a palavra de hoje é: CANJICA. E ainda, segundo Raimundo Morais, a canjica é um "prato obrigado nas mesas da Planície pelo Natal e pelo São João.  Vai comer uma canjica lá em casa,  cunhado, depois da missa do galo, sim?". (1) A Canjica também aparece nos relatos de Jean-Baptiste Debret, entre os anos de 1816-1831, quando fazia viagens por Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.  Nas palavras do autor: "Por isso, viajando-se numa estrada frequentada dessas regiões pode-se ter certeza de encontrar sempre milho seco para animais e canjica para restauração do viajante. Chama-se canjica uma sopa feita com uma espécie de milho branco, fervido no leite ou simplesmente na água com açúcar à qual, por requinte, acrescenta-se algumas gemas". (2) Já em São Paulo, Hércules Florença, no ano de 1825, nos arredores de Jundiaí, nos diz:" Aí tomamos juma casinha, onde pela primeira vez comi milho descascado e cozido sem sal, sem preparo algum. É a canjica, de que os paulistas fazem sempre uso no fim da comida. A princípio  achei esse manjar singular, mas com o correr dos tempos habituei-me tanto a ele como se fora natural do país.  Com açucar  e leite é coisa deliciosa". (3) De acordo com os relatos destes e de outros viajantes. A canjica era consumida em vários estados brasileiros e muito apreciada, sendo prato cujo consumo ia além das festividades juninas. O prato sempre aparece descrito na versão de mingau com milho, leite e/ou água, gemas, açúcar,  coco e/ou castanha do Pará. Pelos relatos a canjica tinha unanimidade de preferência entre moradores locais e viajantes.
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💬 E você de qual estado deste Brasilzão come canjica? De que forma? Me conta vai!
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📚✍️🏽 Referências.
(1) (3) Morais,  Raimundo.  O meu dicionário de cousas da Amazônia.  Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2013, p, 47.
(2) Jean-Baptiste Debret. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. São Paulo, Martins ed, 1940. p, 177.
(3) Hércules Florença. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas. São Paulo, EDUSP/Cultrix, 1977, p, 12. 

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