Pular para o conteúdo principal

Postagens

Forno de farinha e beiju.

Os indios uaupés segundo Wallace eram "geralmente de alto porte, não sendo raro encontar entre eles alguns indivíduos com 5 pés e 9 ou 10 polegadas (1,75-1,78 m). As mulheres usam cabelos soltos, caindo nas costas, cortados num comprimento moderado". (p. 294) eram as mulheres que plantavam a mandioca, "entremeada com canteiros de cana, batata-doce e árvores frutíferas. São também elas que arracam as raízes de mandioca e preparam com elaso pão ou bolo que constitui seu principal alimento". O naturalista inglês, Alfred Russel Wallace, esteve na Amazônia em 1848, seu relato de viagem, importante fonte histórica, foi publicado em 1853. Wallace observou diversas tribos indígenas entre essas dos índios localizados as margens do rio Uaupés. Sobre o forno para assar beiju e farinha Wallace nos diz que " depois da massa passar pelo tipiti e quandi já estava em formato de massa seca "os pedaços são assados em grandes fornos achatados de 4 a 6 pés (1,2-1,...

Coador de Café...

A imagem do "coador de Café, do Caipirira do Vale do Paraíba", de 1937, encontrada no livro de Sampaio, nos mostra um hábito tão comum ao longo de todo o Brasil. Nas palavaras de Sampaio sobre o conceito de "café: infusão do pó de café torrado e moido, adoçada com açucar, rapadura ou caldo de cana (moida geralmente em"sovaco", como produto caseiro). (1) Preparar os utensílios, fazer e tomar o café é um ritual existente em todo o mundo. Como nos aponta a historiadora Ana Luiza Martins, "O hábito de tomar café como bebida prazerosa, em caráter doméstico ou em recintos coletivos, deslancharia a partir de 1450". E ainda, "(...) a cafeteria como ponto de encontro e lugar de convívio social, vingou pelo mundo afora, atestando não só a ampla disseminação da bebida, mas sobretudo, a função celebrativa, advinda dexseuvteor, estimulante e liberador de emoções ".(2) Uma bebida que agrega. Queremos marcar algo com quem gostamos e dizemos...

A baixela do caboclo.

No quadro A baixela do caboclo do pintor português E. P. Macedo que fez parte do I Salão de Artes Plásticas da Universidade do Pará, do ano de 1963. Na cena do pintor, dois itens chamam nossa atenção: a cuia de farinha e o peixe. Aparecem ainda um jarro de água e uma abóbora. A cena reflete a imagem de uma mesa do caboclo amazônico onde a relação com o espaço (território) definiu em grande medida os alimentos e os hábitos alimentares. A imagem também nos permite pensar como a comida, no Pará, com forte origem indígena, tem relações com o espaço (território) Assim, trata-se de pensar como o território com suas possibilidades e dificuldades para o acesso aos alimentos se vincula à construção de um cardápio alimentar, elegeu alguns alimentos como fundamentais na dieta local, a exemplo do peixe e da farinha. Seria o que Montanari chama de “cozinha de território”, ou seja, “os pratos locais, ligados a produtos locais” (1)Assim, “sob esse ponto de vista, a comida é, por definição...

Empadinhas Especiais de Camarão.

Em Belém do Pará, no ano de 1950, existia a coluna Menu de Madame, publicada no jornal Folha do Norte. A coluna, ao longo deste ano, sempre trazia algumas receitas de cozinha, aliás, a imagem referente a coluna era de uma mulher bem vestida e elegante, a personificação da Madame, segurando uma colher com um alimento, que ela preparava na panela a ferver e de onde saía uma misto de fumaça e aroma. Na outra mão ela segurava a tampa da panela, com jeito de quem sabia e dominava as técnicas da cozinha. Essa coluna tem um valor importante pra quem pesquisa a temática, primeiro porque tais colunas de receitas não eram comuns ainda mais com a regularidade como era a Menu de Madame. Também, porque através das receitas é possível ter um panorama dos pratos que eram ensinados, seus insumos e técnicas de preparo. Hoje trago uma receita deste receituário, publicada em 27 de agosto de 1950, aliás, a receita era uma das mais encontradas em Belém pra venda, especialmente nos arraiais, ...

O ralador de mandioca.

O naturalista inglês, Alfred Russel Wallace, esteve na Amazônia em 1848, seu relato de viagem, importante fonte histórica, foi publicado em 1853. Wallace observou diversas tribos indígenas entre essas dos índios localizados as margens do rio Uaupés. Segundo ele, " Os índios das margens dos rios amazônicos pertencem a uma enorme variedade de tribos e nações, todas com linguagens e costumes próprios". (p.291). O viajante Wallace nos remete informações preciosas sobre os índios qie viviam nas margens do Uaupés. Os quais, "são um poco que se dedica à agricultura, possuindo residência fixa. Cultivam a mandioca, cana-de-açúcar, batata-doce, cará ou inhame, pupunheiras, cucura, abacaxi, milho, urucu, bananas de diversas qualidades, abius, cajus, ingás, pimentas, fumo e inúmeras plantas utilizadas para produzir tintas ou as fibras que serven para confeccionar cordas". (p. 294). Na imagem desenhada por Wallace temos o ralador de mandioca. Aliás, ...

Casa Camarinha.

“Mais que o Natal, o Ano Bom e o São João, é o Círio em Belém, explicava um alto funcionário da Alfândega a um colega recém-transferido do sul". (*) A época da festividade de Nossa Senhora de Nazaré era um momento de grande chegada de produtos importados de outros estados e países na capital do Pará. Vários estabelecimentos comerciais anunciavam os produtos para a "Semana do Círio", um deles era a "Casa Camarinha, localizada na Travessa Campos Salles número 58, em 12 de outubro de 1940. Anunciava que havia chegado no vapor "Itanagé" iria receber para Semana do Círio "Peras, maçãs, uvas ferraes e dalgaves, melões portuguezes, repolhos, couves flôr, tomates, pimentões, Xúxús, beterrabas, cenouras, Ervilhas, Beringelas, Repolhos crespos, Maxixes, Quiabos, etc". Também iria receber "Talharim Aymoré com e sem ovos". (1) Tudo para abastecer a mesa das pessoas que detinham poder econômico para comprar tais produtos ou ainda aquela...

Bar Paraense.

"Via a cidade se preparando, chegavam os primeiros romeiros do interior. Armavam-se, no Largo de Nazaré, as diversões de arraial. Alfredo, pela primeira vez, montou num cavalinho. E viu rodando num camelo, pernudo e branco, a boca aberta, de casimira e polar, o frango do sobrado de azulejos. Libânia, numa escapada, com dinheirinho dado pela Isaura, voou no aeroplano (...) Antônio, à espera enquanto ela voasse, deu um pulo na Basílica, espiou aproximou-se do altar, temeroso, porque ouvia falar da fama do vigário que era um bruto. Foi erguendo os olhos para o altar, todo uma brancura, uns dourados e umas luzes finas, tantas roupagens, e lá em cima, escondidinha, a santa, ora vejam só, quem que imaginava, mas tão miudinha! E viu no Largo suspenderem-se os fios da iluminação carregados de lâmpadas que lhe faziam lembrar redes de pesca. As luzes iriam transformar em dia as quinze noites do arraial. No meio, as sumaumeiras de cabeça cacheada lá em cima, com as suas sapope...