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Fabricação do macarrão.

A fabricação do macarrão não ficou restrita a Itália,  a partir de fins do século XIX, o consumo/produção do macarrão propagam-se por outros países. Na Itália, haviam muitas fábricas de macarrão manufaturadas, que produziam em larga escala, desde o século XVIII. Segundo Leandro Vilar: " Na província de Savona e Portomaurizio em meados do XVIII, já contava com 148 fábricas de macarrão, que produziam anualmente 30 toneladas do produto, segundo estimativas da época". (1) E ainda, no século XIX, Nápoles e Gênova se tornaram novamente o polo manufatureiro de macarrão, concentrando em suas regiões a maioria das fábricas. (2) O século XX,  viu surgir " o macarrão industrializado que hoje consumimos. Se anteriormente o macarrão mesmo em algumas fábricas era colocado ao sol para secar, passou-se a usar-se aquecedores e estufas para desidratar macarrão, deixando com um aspecto duro e quebradiço, como costumamo...

A origem do macarrão...

Archestrato, famoso poeta e gastronômo, que viveu no século IV a.C nos fala em "comer tiras de macarrão quente embebido em molho forte": " Poscia le strisce di paste ne mangia E calde e intrise in forte salsa".(1) Na Ópera de Antifone, fala-se em "lasanha verde feita de farinha, alface picada, pimenta e toucinho; a massa assim obtida foi frita em óleo. É o lagano Ápulo-Lucano-Calábrico, produzido sobretudo em Taranto, cidade famosa por suas ricas "cantinas", e imigrado para Roma pelo poeta veneziano Orazio". (2) Aliás, já e xistia na Grécia Antiga uma massa elaborada com farinha em formato de tiras achatadas que se assemelhava ao macarrão. Essa massa recebia o nome de Laganon. Em Roma, essa massa tinha o nome de Laganum. Tornou-se lugar comum pensar que o macarrão foi trazido à Itália, da China, por Marco Polo. Aliás,  ontem "dia da pasta" em vi várias afirmações como essa nas redes sociais, inclusive em sites "famoso...

Um americano de Roma.

No domingo com filme temos uma das melhores cenas do cinema do filme italiano: "Um Americano de Roma", de Steno, lançado no ano de 1954, que traz uma cena clássica muito reproduzida e  protagonizada por Alberto Sordi quando ele come um belo prato de macarrão. Não existe ser humano que não fique com água na boca ao assistir essa cena e não fique com vontade de  fazer um bom prato de espaguete com molho de tomate. É uma das cenas de "comida" mais esplêndidas do cinema. O filme é uma sátira à americanização dos hábitos e costumes nos anos de 1950, o personagem Nando Moriconi é um jovem apaixonado por tudo que vêm dos Estados Unidos. Adora dançar como Gene Kelly acha que fala fluente o inglês e que deve comer "à la americana". Na cena, Nando Moriconi tenta se americanizar na comida e "trocar" o vinho pelo leite, mostarda no pão em vez de massa. O interessante da cena do jantar na casa de Nando, reside no fato de que diante do "macarr...

Macarrão secando nas ruas de Nápoles.

Você sabia que em Nápoles o macarrão era posto a "secar" em varas nas ruas desde o século XIX? Haviam os vendedores de macarrão de rua que vendiam as massas frescas aos fregueses em varas nas ruas e que muitas fábricas até meados do século XX também faziam uso desde sistema de secagem em "varas"? Como apontamos no texto de ontem, Nápoles tornava-se o lugar de popularização do consumo e do fazer o macarrão. Nesse sentido, Ariovaldo Franco nos aponta que: "A pasta, geralmente preparada em casa nas suas múltiplas formas, estava integrada aos hábitos alimentares italianos. Contudo, sua fabricação em bases comerciais já começara em Nápoles". (1) Essa relação tem sua base desde o século XVIII, Segundo Linda Civitello, em seu livro   Cuisine and Culture, "Nápoles havia se tornado a capital mundial do macarrão com quase 300 negócios de massa".Deste número parte considerável da venda estava nas mãos de vendedores ambul...

Nápoles e macarrão.

Você conhece a expressão "Come il cacio sui macaroni"? Sabe a origem? E q ue tem relação com consumo de Macarrão? A Itália é o país onde a pasta/massa além de ser alimento popular é o local mundialmente conhecido pelas suas massas. Segundo o Musei Del Cibo, é na Itália, mas, precisamente na região de Nápoles que historicamente se desenvolve uma indústria produtora de massa, em especial na região de Gragnano e na Costa de Amalfi, nos fins do século XVIII.(1) Assim, "(...) che prende avvio alla fine del Settecento una seconda introduzione della pasta nella cultura alimentare italiana e nel consumo popolare".(2) E o porquê da expressão "Como queijo no macarrão"? Isso porque em Nápoles a massa ganhou tanta popularidade que podia ser encontrada em "quiosques" nas ruas e eram consumidas "da melhor da melhor forma do mundo com as mãos temperadas apenas com pimenta e queijo branco ralado". (3) A pintura de Pietro Fabris, intitulada ...

Jirau.

Antônio se estremeceu. Mas o bicho não queria comer ele, não. (...) O jacaré abriu a boca, os olhos em cima dele. Daí a dar um grito.. mas Antônio nem gritou, só disse: vai-te, bicho. O jacaré até que se assustou, mergulhou na lama, foi-se siririringando, ficaram aquelas borbulhas, este e aquele remoinho do rabo dele, aquele meximento de água que se distrai com os bichos, o movimento deles, por exemplo. Os peixes mais miúdos... Mas ah, depois viu foi o couro do jacaré secando no jirau . (1) Dalcídio Jurandir faz uso da palavra Jirau em seu livro Belém do Grão-Pará para composição da sua narrativa. Mas, você sabe o quê é um jirau? O Jirau é parte importante das casas em muitos interiores da Amazônia. A partir de hoje vamos conhecer um pouquinho mais sobre a composição material das casas e do cotidiano referente a cozinha e seus utensílios de parte da população da Amazônia. Segundo Raymundo Sobral o Jirau é: "Espécie de estrado de madeira que serve para agasalhar ute...

O pregão do vendedor de cocada.

Então, vender cocada era uma atividade apenas das mulheres no Brasil? Não,  vender cocada também era uma atividade masculina, ao menos no Brasil. Geralmente, os homens não faziam cocadas, mas, vendiam. Fazer cocada era uma atividade das mulheres. Um saber que vinha de família. Como nos aponta Freyre: "através das receitas- algumas delas, segredos de família-, é uma arte que resiste a seu modo ao tempo, repetindo-se ou recriando-se, com a constância das suas excelências e até das suas sutilezas de sabor; afirmando-se, por essa repetição ou por essa recriação ". (1) E ainda, "(...) o doce, o bolo, o quindim feito com açúcar por aquelas mulheres que todos os dias faziam renda e, todas as semanas, faziam doce (...)".(2) Uma das telas mais bonitas que nos mostra um vendedor de cocada, é a tela: O Vendedor de Cocada, de Darcy Cruz, de 1931. Um homem com seu tabuleiro de cocada, ao fundo uma vila muito colorida e bem movimentada nos permite entender a dinâmica ...