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Livros de Receitas e a cultura alimentar árabe.

Você sabia que um dos livros mais antigos de receitas tem origensem Bagdá? E que vários costumes a mesa chegam e que chegam a Europa vêm do mundo muçulmano? Um exemplo dessa realidade descrita por Miller é o Ziryab, um costume elegante no mundo muçulmano: "(...) o jantar começava com sopa, seguida de peixe e, depois, ave ou carne e sobremesas, por fim, um pequeno prato de pistache ou amêndoas". Em outras palavras, um estilo de jantar que persiste até hoje, da sopa às nozes.(1) Assim, o “Ziryab é o exemplo mais espetacular de um processo que espalhou os pratos e hábitos culinários de Bagdá para o resto do Islã e depois para a Europa, onde as variações regionais desses mesmos pratos são servidas até hoje”.(2) Essa discussão também se faz importante tendo em vista como os sabores e hábitos alimentares estão em constante movimento e circularidade, lembrando aqui de Ginzburg.* Já nos séculos IX e X, os livros de culinária muçulmanos eram de grande popularidade no mundo...

A influência árabe na alimentação:os doces.

Voce sabia que o costume de "polvilhar " os pratos com temperos ou açúcar tem origem na tradição da culinária árabe? E que a técnica de colocar a sopa por cima do pão demonstram influência árabe? O ponto de partida do nosso texto de hoje está centrado em perceber as inúmeras trocas e influências que vinham do mundo árabe. E como seus hábitos alimentares tiveram influência nas práticas alimentares, especialmente sobre doces, já que os árabes foram influenciadores de hábitos alimentares, em especial, na Europa.(1) O cozinhar é mais do que preparar comida, como nos afirma Maria Izilda Matos: "O cozinhar é um ato cultural, abrangendo sistemas de valores com escolhas e gostos, alimentos apreciados, rejeitados e preferidos, envolvendo procedimentos, códigos e regulamentos, práticas e preceitos, tradições, mas também inovações e descobertas". (2) Aqui, é importante dizer que as influências percebidas na alimentação têm como ponto de partida a diversidade e vari...

Sorvete, Sobert...

Quem não ama tomar um sorvete? Quase impossível alguém não gostar, não é verdade!? Dos meus hábitos quando viajo, um dos que mais amo e o de provar um sorvete, de preferência de um sabor inédito. Hábito que "passei" pra Marji, que faz igualzinho. E das memórias que colecionamos de viagens, ela sempre lembra dos momentos tomando sorvete, dos sabores e dos lugares também. Você sabia que as origens do sorvete remontan a 500 a.C? E que levava na sua composição gelo e vinho? E que data do século XVIII a primeira sorveteria na Itália? Maria Lúcia Gomensoro, nos informa que o sorvete "feito unicamente com suco de fruta e açúcar e, eventualmente uma bebida alcoólica (...) quando a neve das montanhas era misturada ao vinho".(1) Os italianos destacaram-se na produção de Sorbet, por influência árabe, que levaram o hábito para a Sicília. (2) Aliás, segundo Gomensoro " sua denominação vem do árabe Charab (bebida) e do turco, chorbet (bebida fria)". (3) Na F...

Pastelaria e Confeitaria italiana.

Nossa indicação de filme de ontem tratava da fictícia Confeitaria Mendl's, localizada em Budapeste e de um dos seus doces mais famosos o Courtesan au Chocolat. Você sabia que foram os italianos grandes inovadores em pastelaria e doces? É mundialmente conhecida a fama dos italianos na preparação de massas e sorvetes. Contudo, foram além dos sorvetes, existe no que tange a alimentação e suas práticas gastronômicas certo pioneirismo italiano. Segundo nos aponta o historiador Ariovaldo Franco " Os italianos foram ainda grandes inovadores em pastelaria e na preparação de geleias, compotas e doces de frutas. Graças à influência árabe, na península itálica, já no Quattrocento, a pastelaria, a confeitaria e os sorvetes são de qualidade incomparável. (1) E ainda, no ano de 1541, "foi publicada em Lião, sob o título Bastiment de recettes, tradução de um livro que aparacera poucos meses antes em Veneza. Ensinava a preparação de geléias, e de frutas cristalizadas, arte at...

O Grande Hotel Budapeste.

O Grande Hotel Budapeste é a indicação savorosa de filme dos nossos domingos de filmes. O filme retratado na década de 30 conta a História deste famoso hotel europeu, cujo gerente fica muito amigo de um colega de trabalho e ambos participam de um roubo de quadro de valor alto. Segundo Lucas Salgado: "(...) um velho escritor (Tom Wilkinson) que decide contar a história do tempo que passou no Grande Hotel Budapeste, quando ficou conhecendo o dono do local (F. Murray Abraham), que lhe contou a história de como virou dono do lugar". E ainda, "A partir da história do dono do hotel, nos deparamos com os dois protagonistas da trama: M. Gustave (Ralph Fiennes), concierge do hotel, e Zero (Tony Revolori), um jovem empregado do local. Os dois desenvolvem uma curiosa amizade, embora seja sempre claro que o segundo é um empregado do primeiro. Gustave recebe uma herança de uma senhora rica recém-falecida, o que incomoda muito os familiares desta, que farão d...

Café Brasil, em Belém.

Sábado era dia para os frequentadores do Café Brasil passarem por lá, deveria ser um dia de movimento no estabelecimento de propriedade de Abílio de Oliveira e Antonio de Oliveira, comerciantes portugueses da praça comercial de Belém. O referido Café estava localizado na Avenida 15 de Agosto, n° 38 e 40. Em anúncio de 1920, o estabelecimento tinha como especialidade: "Café moido, assucar, fructas nacionaes e extrangeiras importadas directamente" o Café Brasil, ainda contava com "Distribuição a domicílios" e atendia pelo telephone de número 613.(1) Os sócios fizeram o registro de sua marca comercial, como "Café e Botequim", em 19 de agosto de 1920, na Junta Comercial do Pará, a JUCEPA. Provavelmente, além dos produtos citados no anúncio, o local funcionava como Café e Botequim, o qual deveria ter serviço de comidas e bebidas para consumo no local. Nove anos depois, encontramos outro anúncio do Café Brasil, em 1929, em q...

Receita da Tia Evelina: Pão de ló dos Anjos.

Um dos doces servidos no baile de casamento do filho do Bernardino Santana, no livro O Missionário, de José Veríssimo, na cidade de Silves, foi o pão de ló. "O sacristão retirou-se discretamente para a sala de jantar. Justamente, principiavam a servir o chá. Os criados traziam da cozinha as bandejas com as xícaras de chá e com os doces, os sequilhos, os pães-de-ló e as fatias-de-parida, douradas e recendendo a canela e a ovos fritos. Bernardino não se gabara. Era um baile de arromba! (...) Um pão-de-ló de duas libras, corado e fofo, refestelava-se comodamente numa grande salva de prata, riqueza de família, preciosa e rara (...). O Neves já estava na posse feliz duma chávena de chá, duma naca de pão-de-ló e de duas fatias douradas, e pondo toda a provisão num prato, sobre a mesa (...)".(1)A segunda receita elaborada do livro da Tia Evelina, de 1948, foi o Pão-de-ló dos anjos. O pão-de-ló era receita muito presente na ...