Pular para o conteúdo principal

Cecília Meireles: Mas, o que será o Manauê?

Cecília Meireles em seu texto para a Comissão Nacional de Folclore, sobre o Manauê, nos fala que ao longo do Brasil existem vários tipos de receitas espalhadas pelos diversos estados. As receitas variam e os ingredientes também são geralmente elaborados com mandioca, mandioca puba, o milho, especiarias, mel, manteiga. Ao longo da semana, vocês me falaram sobre várias revistas e formas de fazer manauê (E muito obrigada pelo diálogo sempre rico). Pois bem, a escritora nos conta ainda que na receita de Manauê do Pará: "fubá de arroz, açúcar, ovos, manteiga, sal, côco ralado. Assa-se em taboleiro corta-se em quadradinhos". No Manauê de Ceará: ovos, farinha de trigo, leite de côco, açúcar,  sal. Deita-se no taboleiro, rega-se com leite de côco. Depois de assado, corta-se em losangos". Já no Manauê da Bahia: aipim ralado e espremido, leite e água de côco, manteiga, sal, açúcar em calda grossa...também é assado em taboleiro e forrado de folha de bananeira". Por fim, o Manauê de Minas: açúcar, manteiga, fuba de milho fino, ovos, côco, erva-doce. Depois de assado em taboleiro, corta-se em losangos". (1)Como observamos o coco é ingrediente presente em todos eles. MAS, outros ingredientes são únicos para cada estado,  no Pará faz-se uso do fuba de arroz, no Ceará de farinha de trigo, na Bahia de aipim ralado e em Minas de fuba de milho fino. No Pará,  serve-se em quadradinhos, na Bahia na folha de bananeira e no Ceará e Minas cortados em losangos. A historiadora Eliane Morelli Abrahão, nos conta sobre como o nome também muda de uma região para outra. É possível encontrar:“Managues, Manáveis, Manauês e Managão” geralmente “a mesma receita, com muitos nomes, muitas variações de ingredientes e uma mesma apresentação”.(3) Em outro trabalho, a autora não aponta que no caderno de receita de Custódia Leopoldina de Oliveira continha receitas de: "tortas, pastelinhos, manaués, bons-bocados e ricos pudins".(4) Abrahão, cujo trabalho pioneiro de análise em cadernos de receitas, de famílias de Campinas nos diz que lá o Manauê também era consumido.
.
.
.
💬✍🏽 E você ficou com vontade de fazer uma dessas versões? Eu vou testar por aqui...Me conta!
.
.
.
📚✍🏽 Referências.
📸 (1) Cecília Meireles. Mas, que será o manauê? A manhã, Rio de Janeiro. Domingo,  15 de janeiro de 1950, p. 13.
(2)Eliane Morelli et al, Delícia das Sinhás: História e Receitas Culinárias da Segunda Metade do Século XIX e início do Século XX, Campinas: CMU, Arte escrita, 2007, p. 95.(3) Abrahão,  Eliane Morelli. História da Alimentação: cadernos de receitas e práticas alimentares, Campinas: 1860-1940. Campinas, SP: Pontes Editores, 2018,p. 94.



















































Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...

Quadrados Paulista.

Olá, leitores! Essa receita é daquelas que é sensacional, veja bem: eu coloquei dois conceitos no meu livro um M/ DE MARAVILHOSO E UM E/excelente de tão boa que é!Façam, hoje mesmo :) sem palavras para descrever a tal gostosura. Quando fiz e provei essa receita, entendi que o livro Dona Benta tem raridades únicas e me questionei como aquela blogueira fazia duras críticas ao livro? Por que a minha experiência com ele a cada receita tem me deixado mais maravilhada, só posso pensar que a pessoa não deva entender muito da grandiosidade que é um livro que por gerações vem fazendo parte da cozinha de tantas pessoas...Enfim, vamos a receita: Quadrados Paulistas: p. 829. Ingredientes: Massa: 1 xícara chá de manteiga. 2 xícaras chá de açúcar. 2 xícaras chá de trigo. 1 colher de chá de fermento. 1/2 xícara de leite. 4 ovos separados. Glacê: Açúcar. Água ou sumo de laranja. Modo de Fazer: passo-a-passo:  Bata a manteiga com o açúcar, junte as gemas,...