Pular para o conteúdo principal

Sorveteria e Confeitaria Alvear.



Que os cardápios, anúncios e ofertas de alimentos em Belém fossem escrito em Francês era um hábito comum, naquela que seria a "Paris dos Trópicos ", mas, você sabia que a "moda" dos anúncios e cardápios escritos em inglês também foi uma realidade na cidade de Belém? As influências nas práticas alimentares também se faziam pelo “caráter da moda” ou que era chique e elegante em servir, uma vez que a cultura alimentar se apresenta como moda.(1) Assim, a cultura alimentar dos outros lugares chegava como uma espécie de adoção ao que era moderno e estava em voga. A cidade de Belém não fugia a essa realidade, a partir da década de 30, do século XX, uma cultura alimentar como moda baseado no “o american way of life”, não apenas o cardápio aparece em inglês, mas acima de tudo os pratos eram baseados na cultura alimentar americana com sandwuiches, drinks e cocktails. A grafia inclusive era parte importante dessa linguagem da moda. Um exemplo, é o Alvear que em 19 de agosto de 1932, se anunciava como “ponto preferido pela nossa elite”(2)encontramos o seguinte anúncio “Welcome visit the “Alvear” bar coffee house and music hall (the Best in the city), Ice-cream, cold beer, fruit Juices, soft drinks, all kinds of drinks. Sandwiches, cakes, etc. A place for every one”(3). Na propaganda seguinte tem-se novamente a grafia em inglês, inclusive o nome do bar aparecia com “The “Alvear”: “Saturday- 3- September- Big surprise- Welcome- Visit the “Alvear” Cofee-House anda music hall (The Best in the city) Popular songs anda dance of Radio Stage by Peter Brother, arrived from U. S. of America, Last week”.(4) Além, da dança de Peter Brother, vindo diretamente dos EUA na semana passada". Além da oferta dos clássicos sanduíches neste momento despontam como um prato da moda de origem americana. Passados alguns anos, em dezembro de 1941, a Revista A semana, n.1159, trazia anúncio do Café-Bar e Sorveteria, Confeitaria Alvear que além de ter "Jazz Diariamente, aperitivos em geral, schopp geladissimo e os melhores sorvetes". Ainda se intitulava "O Centro da Elite Paraense",(5) desta vez em português (a imagem), o que teria mudado então?Será se a moda da cultura americana havia diminuido? Ou se mantinha nos cinenas e na consumo da Coca-Cola?
.
.
.
Referências.
(1)MONTANARI, Massimo. O Mundo na cozinha: história, identidade, trocas. São Paulo: Estação Liberdade: Senac, 2009.p. 32.
(2) 1197 Folha do Norte, 1 de setembro de 1932, p. 05.(3)Folha do Norte, 19 de agosto de 1932, p. 04. (4)Folha do Norte, 2 de setembro de 1932, P. 05. (5) Revista A Semana, dezembro de 1941.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Menu de Madame.

Segunda-feira com receita histórica, da coluna Menu de Madame, publicada em Belém,  no jornal Folha do Norte, no ano de 1950. As receitas são também retrato do contexto daquela época e da sociedade. Através dos ingredientes e das formas de preparo é possível identificar todas as misturas e influências ao longo de seu processo histórico.(1) A coluna Menu de Madame era voltada para a mãe, a mulher da casa, dona do lar, socializando receitas. Importante dizer que a coluna publicada no jornal Folha do Norte pode ser compreendida à luz das explanações de Maluf & Mott, quando demonstram a constituição de um padrão pelo qual a sociedade, nas primeiras décadas do século XX, construiu para o papel da mulher como mãe de família. Um discurso que era elaborado a partir do papel de mãe, esposa e dona de casa. (2) A historiadora Maria Cecília Pilla ao analisar os manuais de administração do lar e livros de cozinhas que circulavam no Brasil da virada do século XX até...